Silvia Helena Becker Livi
Acompanho meu marido (ele é artista; gosto dele e dos trabalhos que faz). Vamos a muitas exposições e palestras junto. Olho, pergunto, aprendo e às vezes, tento inventar. Se algo atrair nosso olhar, dividimos impressões. Antes de nos envolvermos com artes visuais, gostávamos de objetos antigos e íamos ao brique da Redenção; ainda temos molheiras de porcelana e outras coisas. Há 10 anos entramos no Atelier Livre, em escultura, e continuamos lá, mas ele se revelou escultor e desenhista e eu passei para a pintura, dividindo com meu filho espaço na garagem de casa. Pintava, como ele, no chão, telas grandes. Ele acumulava tinta sobre tinta, core s vivas cobertas de preto, e eu fazia uma pintura rala, sem cobrir a tela, carimbando coisas. Quando reformamos uma casa velha, amealhei afetivamente objetos abandonados lá: muitas garrafas transparentes de bebida, correntes grossas, uma grande gaiola... Sem conseguir me desvencilhar, fui arrumando ao ar livre e me encantando com a luz e a sombra. O marido fotografa, enquadrando os objetos e sua sombra. Todos elogiam AS FOTOS, não as instalações, difíceis de acomodar em exposições de arte. Mas aqui mostro, em princípio, OS TRABALHOS.
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Sobre o trabalho:
Após estudar escultura e pintura no Atelier Livre, percebo que me envolvo com resquícios, o que revela o passado e evidencia a passagem do tempo. Deixo ao ar livre objetos encontrados, acumulando a vida quieta e quase invisível dos pátios. Resgato objetos, deixo no sol e na chuva, espero o tempo agir. Propicio alinhamentos com efeitos de luz e sombra; sugiro fotografias.




