bienalb2009

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Home Curadoria
curadoria

Apresentação da Curadoria

A nova edição da Bienal B trouxe novo formato e novas experiências, entenda como foi realizada a seleção e conheça os destaques da mostra.

 

 

 

A realização da primeira edição da Bienal B, em 2007, trouxe para seus organizadores, a partir de uma revisão de todo o processo e de seus resultados, a possibilidade de uma auto-reflexão. O dado premente a ser considerado, pelo simples fato de que este seria definidor da permanência ou não da Bienal B, era a contabilização de seus números. Estes demonstraram estatisticamente uma grande adesão por parte dos artistas e dos espaços: 315 artistas em 40 espaços expositivos. Outro dado que impressionou, e que aconteceu de certo modo acidentalmente, tornou-se responsável pelo fato da Bienal B ter se caracterizado como inclusiva. A grande maioria dos artistas que se inscreveu pelo site, criado para este fim, não forneceu dados das obras e isso gerou a impossibilidade de seleção. Não havendo tempo hábil para exigir maiores informações, os organizadores resolveram incluir todos os inscritos e trabalharam exaustivamente no sentido de os reunir do melhor modo possível - independente do grau de formação e de experiência -, nos espaços mapeados com esta finalidade. As exposições surpreenderam positivamente, a geografia instituída pela Bienal B incorporou o charme francês, do deslocamento pela cidade, propondo um tipo de flânerie. Dessa experiência, o que não poderia ser mantido, sob pena de inviabilizar a execução da segunda edição da Bienal B, foi a carga de trabalho destinada aos organizadores, necessitava-se criar uma equivalência de ações e responsabilidades, dando um caráter mais coletivo para o evento. Acreditou-se também, que para isso, a Bienal B deveria ter uma função pedagógica no sentido da profissionalização. Verificou-se que grande parte dos artistas apresenta dificuldades em fazer proposições, provavelmente por causa de uma romantização em sua formação. Esta formação, que vigorou muito tempo e teve largo prestigio, estava ligada a clichês modernistas, como aquele do gênio incompreendido; ou aquele do artista criando, isolado da sociedade, no seu atelier, somente preocupado com a produção; ou, ainda, aquele que não precisa falar, pois a “obra fala por si”, entre outros.

Para a 2ª edição da Bienal B, baseando-se na experiência anterior, decidiu-se que desta vez os candidatos se organizariam em grupos e encaminhariam uma proposta artística definindo e contatando previamente os espaços expositivos. A entrega de um dossiê com material impresso que incluía ficha de inscrição e outros dados que detalhavam a proposta e, também, a criação de um blog, foram exigências feitas pelos organizadores da Bienal B. Este material seria analisado por uma banca de profissionais ligados às artes visuais do Estado. Considerou-se que tais exigências não seriam prejudiciais, mas cumpriam etapas, as quais os artistas deveriam estar familiarizados ou começar a se familiarizar. Apesar da visão construtiva que se tinha desses novos dados incorporados, como impulsionadores e agregadores, apoiando a profissionalização do artista, não se poderia prever a reação e isso gerou uma grande expectativa por parte dos organizadores: os artistas teriam persistência suficiente para cumprir todas as etapas? A segunda edição ficaria muito reduzida em termos de adesão com relação à primeira edição? Após a reunião da banca, veio a surpresa: 38 grupos selecionados e 266 artistas participantes, sendo três grupos de fora da capital. Diante de todas exigências feitas, considerou-se um sucesso de participação.

A banca que analisou as propostas formulou pareceres aos grupos que ficaram de fora, cumprindo mais uma etapa do objetivo profissionalizante a que a Bienal B se propôs a priori. A subjetividade das opiniões muito pessoais foi posta de lado em favor da objetividade com relação ao preenchimento dos quesitos solicitados previamente. Cabe citar, uma iniciativa inédita, nesse tipo de seleção. Outro dado importante é o fato de que a exposição não vinculada a Bienal B, poderá ser realizada de forma independente, uma vez que os grupos de artistas já haviam acertado com o espaço expositivo.

O Espaço Convergente da Bienal B é o Moinhos Shopping, lugar onde acontecerão performances de grupos selecionados programadas para o lounge. Para este espaço, serão agendadas entrevistas coletivas; lá o público poderá buscar informações sobre as exposições. Haverá, também, ações educativas ao longo de todo o período da Bienal B.

 

Como destaque, alguns grupos que participarão da 2ª. edição da Bienal B:

Do Uruguai, Escultura contemporánea Uruguaya, no Museu Julio de Castilhos, dos artistas: Javier Abdala Estable, Andrés Santángelo e Juan Tolosa. O grupo apresentará objetos e grafittis realizados em madeira policromada e em grandes dimensões. Os artistas, que são também professores, propuseram-se a realizar performances no local.

De Campinas, o grupo Antropoantro realizará uma ação pelas ruas da cidade chamada A escultura que não deu certo. As artistas que compõem o grupo percorrerão e documentarão o caminho percorrido pela “escultura que não deu certo” e a instalará no lugar em algum lugar do percurso.

Circular é uma ação coletiva organizada por Alexandra Eckert, que inicia em um atelier de serigrafia e promove a multiplicação de trabalhos em de vários formatos (lambe-lambe, cartões postais, adesivos...) possibilitando a circulação das imagens. O grupo de mais de 50 artistas promove intervenções urbanas.

Os Cowbees trazem para esta edição a ação Vendo meu tempo, um jogo de palavras que desencadeia reflexões em torno do aspecto visual e comercial articulados pelos anúncios classificados, adesivos de propaganda e panfletagem.

Carla Magalhães, Loraine Oliveira e Antônio Augusto Bueno propuseram Estética de Rodoviária realizando performances e documentando a abordagem de pessoas que trafegam pela Estação Rodoviária de Porto Alegre com perguntas que dizem respeito ao universo da estética.

Iceberg é um imenso corpo construído com lixo e que estará ligado a um outro corpo, desta vez, humano. A forma de “trambolho” do qual o homem não consegue se livrar circulará por pelas ruas de Porto Alegre, colocando-se como arte-política a partir do manifesto ecológico dos artistas Diego Lopes, Cris Los e Igor Nornberg.

O TEC - Tentacles Ensemble Collective reúne artes visuais e música numa performance eletrônica chamada Experimento 3: Urbanóide & Bob Fischer.

 

Na Galeria de Marte, Luis Gustavo Rigon, Paola Zordan, Manoela Pavan e Maíra Redin, através de pinturas e fotografias exploram o conceito Corpoartista. O Atelier Plano B traz com a exposição Empilháveis, além dessas linguagens, objeto, gravura e desenho. O grupo Façoartevendoarte apresenta Fator 07, que soma a videoinstalação.

Desapoios é o título da instalação de Denise Haesbaert, Lorena Steiner, Neca Sparta e Rosali Plentz, na galeria Gravura, a partir da qual articulam o elemento arquitetônico da coluna colocado em relação ao espaço do pátio.

O trio: Tomas Barth, Augusto Ferrari e Juliana Bassani, misturam suas técnicas em Posição Incerta, criando obras bidimensionais coletivas em que a noção de autoria e estilo é questionada, a exposição será mostrada no Bar Ocidente.

O grupo N.a.i.p.e (Núcleo de Arte, Intervenção e Performance) traz a proposta Sobre para a Bienal B, que se constitui em registros e marcas a partir de uma idéia de ritual que inclui o corpo e o lugar.

Ainda se apostou em diversos outros grupos, compostos por artistas experimentais, em início de carreira ou já conhecidos do público; e, espaços que vão do institucional ao comercial. A Bienal B procurou não fazer as famosas distinções, políticas ou de gosto exclusivista, que se prestam mais a gerar divisões difíceis de se contornar, quando se busca unir esforços em prol de algo maior que poderia ser atualmente (ou, desde sempre): constituir um circuito alternativo (no real sentido dessa palavra, que conforme o Dicionário Aurélio: “diz-se das coisas de que se pode escolher a que mais convenha”),  para a arte, um campo onde a experiência possa circular com maior naturalidade, reunindo pessoas em torno das produções artísticas.

Boas Artes!

 

Isabel de Castro
Curadora Geral da 2ª Bienal B

 


Curadora Geral da 2ª Bienal B
Isabel de Castro (artista, Mestre/USP-SP, leciona na ESPM e no FAROL: Observatório de Arte)

curadoras convidadas
Adriane Hernandez (artista, Doutora/UFRGS-RS, leciona na UFPel)
Amélia Brandelli (artista, Mestre/UFRGS-RS, Coordenadora do Espaço Cultural da ESPM, onde leciona)

Última atualização ( Dom, 13 de Setembro de 2009 01:41 )  

Mapa Porto Alegre

Siga-me no Twitter

Newsflash

"O espaço real é intrinsecamente mais potente e específico do que pintura sobre uma superfície plana. Obviamente, qualquer coisa em três dimensões pode ter qualqer forma, regular ou irregular, e pode ter qualquer relação com a parede, o chão, o teto, a sala, as salas e o exterior, ou absolutamente nenhuma. Qualquer material pode ser usado como é ou pintado" JUDD, Donald.