Top 5: Lulina
foto: Sameul Esteves - Divulgação
<font>Meiguice e esquisitice com alguns toques de sarcasmo. Em poucas palavras, isso é o que caracteriza a música de Lulina. Nascida em Recife e criada em Olinda, ela passou batido pelo manguebeat. Enquanto Chico Science ganhava fama e reconhecimento pela fusão de rock e maracatu, a então adolescente Lulina ficava trancada em seu quarto lendo e compondo canções ao violão. No lugar do som pesado das alfaias, vocais sussurrados.
Entrou para a faculdade de publicidade, montou uma banda com os amigos e, em 2001, começou a gravar discos caseiros e a disponibilizá-los gratuitamente pela Internet. Em 2009 e já radicada em São Paulo (cidade em que seu estilo musical foi melhor recebido), ela lançou seu primeiro disco em esquema profissional, Cristalina, e caiu no gosto do público e da imprensa musical. Lulina compartilhou com a +Soma suas inspirações, influências e dicas culturais.
5 músicas com letras engraçadas/esquisitas</font>
<font>"História Difícil" . Pereira Costa / Vítor Santos</font>
<font>"Baby Consuelo" . Novos Baianos</font>
<font>"Frevo Mulher" . Zé Ramalho</font>
<font>"Kilario" . Di Melo</font>
<font>"Apanhei um resfriado" . Leonel Azevedo</font>
<font>5 discos pop</font>
<font>"Nevermind" . Nirvana </font>
<font>"Racional" . Tim Maia </font>
<font>"Tábua de Esmeralda" . Jorge Ben </font>
<font>"Fruto Proibido" . Rita Lee e Tutti Frutti</font>
<font>"História do Brasil" . Sarajan </font>
<font>5 discos de cantoras</font>
<font>"Chelsea Girl" . Nico</font>
<font>"Moonpix" . Cat Power </font>
<font>"Blow up" . Rita Lee</font>
<font>"A rainha Ademilde e seus chorões maravilhosos" . Ademilde Fonseca</font>
<font>"Have one on me" . Joanna Newsom </font>
<font>5 sites/blogs de música </font>
<font>Vitrola do Zé: <u>vitroladoze.blogspot.com </u></font>
<font>Trabalho Sujo: <u>www.oesquema.com.br/trabalhosujo</u></font>
<font>?Scream & Yell: <u>www.screamyell.com.br</u></font>
<font>?Suppaduppa: <u>suppaduppa.mtv.uol.com.br/inicial</u></font>
<font>Groveshark: <u>www.groveshark.com</u></font>
<font>5 melhores shows que você viu </font>
<font>Bill Callaham (São Paulo/2009)</font>
<font>The Hive Dwellers (Olympia/2010)</font>
<font>Sonic Youth (São Paulo/2005)</font>
<font>Belle and Sebastian (São Paulo/2002)</font>
<font>Franz Ferdinand (Glasgow/2007 </font>
<font>5 lugares para escutar boa música em Recife </font>
<font>Nossa Senhora dos Grudes, no Bar Largura, em Casa Forte</font>
<font>Casa de Seu Jorge, no Rosarinho</font>
<font>Iraq</font>
<font>Espaço MUDA</font>
<font>Casa de Mad</font>
<font>5 coisas que te inspiram </font>
<font>Cerveja gelada</font>
<font>Pão quentinho da padaria, com manteiga</font>
<font>Programas de TV sobre astronomia</font>
<font>Bons livros</font>
<font>Praia</font>
<font>5 livros de ufologia </font>
<font>"A história dos discos voadores" . Brinsley Le Poer Trench</font>
<font>"Os discos voadores e a Teoria da Relatividade do Dr. Einstein, de 1957 a 1969" . Hernani Ebecken de Araújo</font>
<font>"As crônicas marcianas" . Ray Bradbury</font>
<font>"SCHWA" . World Operations Manual</font>
<font>"Strange Northwest" . Chris Bader</font>
<font>5 escritores que você admira </font>
<font>Dostoievski</font>
<font>David Foster Wallace</font>
<font>Daníil Kharms</font>
<font>Philip Roth</font>
<font>Roberto Bolaño</font>
<font>5 melhores seriados japoneses</font>
<font>Changeman</font>
<font>Jaspion</font>
<font>Speed Racer</font>
<font>National Kid</font>
<font>Goldar</font>
<font>5 melhores jogos de vídeo-game atuais</font>
<font>Iço . PS2</font>
<font>Katamary Damacy . PS2</font>
<font>God of War . PS3</font>
<font>Mario Kart . Wii</font>
<font>Street Fighter II . Super Nintendo (para mim ainda é atual e insuperável)</font>
+Obras Primas: “Hell” versus “Back From Hell”, Por Pedro Pinhel
(Obras Primas publicada na +Soma 18/Jul-Ago 2010. Baixe <u>aqui</u> ou descubra <u>aqui</u> onde conseguir uma.)
<font>Obras Primas </font>
<font>Por Pedro Pinhel
“Hell” versus “Back From Hell”
Dois LPs para incendiar qualquer sistema de som, “Hell” e “Back From Hell” têm muito mais em comum do que apenas os nomes. Ambos representam os últimos lampejos de genialidade – e não de criatividade, compreenda – de James Brown e Run-DMC. Se em 1974 James Brown ainda punha fogo em espetaculares jam sessions com os J.B.’s e gravava uma média de dois discos por ano (!), encontrando tempo e disposição para se apresentar do Apollo Theater ao Zaire, o trio do Run-DMC mostrava que ainda tinha muita lenha pra queimar em 1990; ao contrário do famoso crossover rock versus rap que os projetou e perdeu espaço após o clássico “Raising Hell” (1986), os MCs Run e DMC e o DJ Jam Master Jay (RIP) pareciam ter recuperado o fôlego numa insinuante mistura de new jack swing e do hardcore/gangsta hip-hop produzido na virada da década. Hell yeah!
James Brown . “Hell” (Polydor, 1974)</font>
<font>Muito pode se debater quando o assunto é ao bra do mestre James Brown, e dizer que “Hell” é o último lampejo de genialidade do Godfather poderá causar a ira de centenas de equipes de som e puristas de todo o planeta Terra e região, mas o fato é que a produção de JB perdeu muita consistência após 74 – ano que marcou ainda o lançamento do ótimo “Reality”. Concebido como um álbum duplo, o disco é visto por muitos como o auge do período mais criativo da carreira do Ministro do Super Heavy Funk. Cada faixa aqui começa com o soar de um gongo, ao melhor estilo kung-fu, e o carro-chefe de “Hell” é a sampleadíssima “Papa Don’t Take No Mess”, uma pérola do jazz-funk que vale cada um de seus treze minutos de execução. </font>
<font>As belíssimas “These Foolish Things”, “A Man Has To Go Back To The Crossroards” e “Sometime” fazem parte do catálogo das melhores baladas de James Brown – um hábito muito comum à época, em que um dos lados do LP era inteiramente composto por canções ao melhor estilo mela-cueca. “Hell” é também um microcosmo de tudo o que se tentou produzir nos EUA, e em todo o mundo, em termos de música funk de altíssima qualidade, definindo o padrão de produção do gênero a partir de então. O legado da fase áurea da produção funk de James Brown é incomparável na história da música contemporânea. Após um período de produções menos impactantes durante a segunda metade da década de 70, muito em função da chegada da disco music e da substituição gradual de bandas como The J.B.’s por sintetizadores e drum machines, The Hardest Working Man In Showbiz iria ainda ressurgir do inferno na metade da década seguinte com o clássico “Living In America”, mas aí nós descambaríamos para Rocky IV e você perderia o fio da meada.
Run DMC . “Back From Hell” (Arista, 1990)</font>
<font>Dizer que “Back From Hell” é o ultimo grande disco do trio de rap mais folclórico da velha guarda também poderá ofender o pessoal que representa e afirma por aí que a rua é nóis, já que seu sucessor, “Down With The King”, de 93, também teve considerável sucesso comercial. Mas o fato é que a levada new jack/bounce de “Back From Hell” é conceitualmente mais interessante e envolvente do que a tentativa de réplica da atitude e a da música gangsta que marcaram “Down With The King”. O estilo que dominava o gênero no início da década de 90 tinha no quinteto NWA seu maior expoente e, embora o Run-DMC tivesse feito muito bem a lição de casa, o disco não passava de uma cópia sem criatividade, apesar de bem produzida, do som do momento – até porque o discurso do Run-DMC era bem menos agressivo e ofensivo.</font>
<font> “Back From Hell”, por sua vez, apesar de não ser o maior trabalho da carreira de Joseph “Run” Simmons, Darryl “DMC” McDaniels e Jam Master Jay, apenas comprova a longevidade da carreira dos rappers do Queens (NY), que souberam se adaptar aos vários períodos e estilos do hip-hop desde sua primeira fase, no início dos anos 80, marcada por singles, beats e timbres simples e secos, até a fase hardcore/gangsta rap do início dos anos 90. Musicalmente, o disco não traz nenhuma grande inovação, mas faixas como “The Ave”, “Bob Your Head” e “Pause” certamente figuram entre os melhores lançamentos do ano em questão. Problemas pessoais enfrentados por Run – acusado de estupro – e de DMC – internado em 91 por alcoolismo – podem parecer incompatíveis com um álbum, cujo título é justamente a saída do inferno, mas no fim ambos os rappers conseguiram sair de seus infernos pessoais e, apoiados por nomes como A Tribe Called Quest, EPMD, Public Enemy e Naughty By Nature, seguiram com suas carreiras e fizeram do Run-DMC um dos grupos de maior longevidade da história de um gênero que já assistiu a milhares de ascensões e quedas meteóricas, em seus aproximadamente trinta anos de existência. Hell, DMC!
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