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1º Fórum de ações pedagógicas em instituições culturais

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 ARTES E APRENDIZES - 1º Fórum de ações pedagógicas em instituições culturais

 
Gostaria de trazer para a reflexão, talvez até por desvio da temática principal desse fórum – mas eu acredito que não -, as seguintes questões: O que as grandes mostras ou as mostras de arte em geral e especificamente a Bienal B coloca, ou propõe, em termos de ensino ou educação pela arte?

De outro modo: podemos nos colocar como questão à priori: a compreensão do que as obras de arte colocam em jogo a partir de que sua visibilidade é favorecida por mostras como a Bienal do Mercosul e a Bienal B?
O que as obras colocam em jogo, como por exemplo, um questionamento do mundo como tal, ou um questionamento sobre as coisas do mundo, é favorecido pelas mostras?
    
Poderíamos perguntar se as instituições culturais e os circuitos independentes nos propiciam acreditar que pensar com arte é melhor do que pensar sem arte?

Se tais perguntas formuladas, tem como resposta um sim, então elas (as mostras) cumprem o seu papel.
    
Para quem a dúvida ainda persiste, vejamos dois modos de viver: com arte e sem arte. No que nos favorece em termos formativos ou de desenvolvimento social e intelectual pensar e viver com arte.

Um circuito organizado, ou melhor, a organização de um circuito, como a Bienal B vem fazendo, inclui:

Artistas que geralmente se encontram produzindo isoladamente em seus ateliers buscando, sem êxito, na maior parte das vezes, dar um pouco de visibilidade para suas obras. Esses artistas que seguidamente por falta de estímulo, ou por falta de habilidade na organização de sua produção, de seu portfólio e de seu discurso, ou por não acreditar que a sua produção necessite disso (que deveria bastar produzir e pronto), ou por vários outros fatores mais complexos que este, como a perpetuação de uma idéia romântica ligada a produção artística: como por exemplo que os melhores, um dia, serão reconhecidos.  Artistas que em grupo ou trabalhando coletivamente, no sentido de colocar seus trabalhos à frente do circuito, teriam certamente mais chances de mostrar sua produção, permanecem sozinhos. De repente esses artistas sentem-se estimulados a romper com esse isolamento a partir de uma proposta externa, mas que vai ao encontro de um desejo, pois a obra só existe como tal quando se confirma a tríade artista-obra-público e ninguém produz para ninguém.
    
Com a Bienal B nós pudemos ver esses artistas deixando seu isolamento para constituir grupos e coletivamente mostrar suas produções. Organização que incluiu, contatar outros artistas, fazer um projeto coletivo, construir um blog, contatar lugares possíveis de abrigar uma exposição ou de fazer acontecer arte.
    
Poderia se colocar esses dados como uma educação pela arte?
    
O que seria a princípio um pretexto (a Bienal do Mercosul) para os artistas locais se organizarem, acaba sendo um aprendizado para os artistas em função de um estímulo externo (Bienal B).
    
Outro dado: os artistas procuram lugares, lugares tradicionais de arte, mas também lugares alternativos, pensam modos de articular sua produção com esses ou nesses lugares, e fazem sua proposta. Bares, rodoviárias, a própria rua, seus próprios ateliers ou de outros artistas. O que implica em muitas negociações e discussões prévias sobre suas produções. Essa ação, por si só, já constitui uma ampliação do campo da arte, um rompimento de muralhas. A interlocução, o debate sobre arte está se fazendo e, dessa maneira, um outro modo de aprendizado se funda a partir dos artistas e dos lugares.
    
Com a divulgação as pessoas se dirigem aos lugares ou os desavisados podem simplesmente ser surpreendidos encontrando arte em um lugar inesperado, mas que habitualmente freqüentam.
    
A cidade respira arte e isso é o começo de tudo.
    
Quando a arte não circula o que circula é o preconceito. Falar das coisas da arte somente no mundo das idéias, afastado da experiência dos sentidos, torna a arte fraca.
    
A arte encontra sua força na sua visibilidade, logicamente, pois é a partir desta que os sentidos podem ser cruzados: sentidos interpretativos e sentidos sensoriais. Isso porque o próprio ato de ver (mais do que somente olhar, como Saramago no livro Ensaio sobre a cegueira: se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.) já se constitui como um saber, quando não há preconceito. O filósofo Maurice Merleau-Ponty nos ensinou que o olho pensa, para muito além de suas faculdades visíveis.
    
O que muitas vezes não se sabe ou se desconsidera é que pessoas sensíveis estão em todo o lugar, assim como as pouco sensíveis, essas últimas quem sabe a espera de algum estímulo apoiado em uma visualidade. Mas quero reforçar que tudo começa e se desenvolve a partir da circulação das obras.
Gostaria de trazer para a reflexão, talvez até por desvio da temática principal desse fórum – mas eu acredito que não -, as seguintes questões:  que as grandes mostras ou as mostras de arte em geral e especificamente a Bienal B coloca, ou propõe, em termos de ensino ou educação pela arte?

De outro modo: podemos nos colocar como questão à priori: a compreensão do que as obras de arte colocam em jogo a partir de que sua visibilidade é favorecida por mostras como a Bienal do Mercosul e a Bienal B?  O que as obras colocam em jogo, como por exemplo, um questionamento do mundo como tal, ou um questionamento sobre as coisas do mundo, é favorecido pelas mostras?
    
Poderíamos perguntar se as instituições culturais e os circuitos independentes nos propiciam acreditar que pensar com arte é melhor do que pensar sem arte?

Se tais perguntas formuladas, tem como resposta um sim, então elas (as mostras) cumprem o seu papel.
    
Para quem a dúvida ainda persiste, vejamos dois modos de viver: com arte e sem arte. No que nos favorece em termos formativos ou de desenvolvimento social e intelectual pensar e viver com arte.

Um circuito organizado, ou melhor, a organização de um circuito, como a Bienal B vem fazendo, inclui:

Artistas que geralmente se encontram produzindo isoladamente em seus ateliers buscando, sem êxito, na maior parte das vezes, dar um pouco de visibilidade para suas obras. Esses artistas que seguidamente por falta de estímulo, ou por falta de habilidade na organização de sua produção, de seu portfólio e de seu discurso, ou por não acreditar que a sua produção necessite disso (que deveria bastar produzir e pronto), ou por vários outros fatores mais complexos que este, como a perpetuação de uma idéia romântica ligada a produção artística: como por exemplo que os melhores, um dia, serão reconhecidos.  Artistas que em grupo ou trabalhando coletivamente, no sentido de colocar seus trabalhos à frente do circuito, teriam certamente mais chances de mostrar sua produção, permanecem sozinhos. De repente esses artistas sentem-se estimulados a romper com esse isolamento a partir de uma proposta externa, mas que vai ao encontro de um desejo, pois a obra só existe como tal quando se confirma a tríade artista-obra-público e ninguém produz para ninguém.
    
Com a Bienal B nós pudemos ver esses artistas deixando seu isolamento para constituir grupos e coletivamente mostrar suas produções. Organização que incluiu, contatar outros artistas, fazer um projeto coletivo, construir um blog, contatar lugares possíveis de abrigar uma exposição ou de fazer acontecer arte.
    
Poderia se colocar esses dados como uma educação pela arte?
    
O que seria a princípio um pretexto (a Bienal do Mercosul) para os artistas locais se organizarem, acaba sendo um aprendizado para os artistas em função de um estímulo externo (Bienal B).
    
Outro dado: os artistas procuram lugares, lugares tradicionais de arte, mas também lugares alternativos, pensam modos de articular sua produção com esses ou nesses lugares, e fazem sua proposta. Bares, rodoviárias, a própria rua, seus próprios ateliers ou de outros artistas. O que implica em muitas negociações e discussões prévias sobre suas produções. Essa ação, por si só, já constitui uma ampliação do campo da arte, um rompimento de muralhas. A interlocução, o debate sobre arte está se fazendo e, dessa maneira, um outro modo de aprendizado se funda a partir dos artistas e dos lugares.
    
Com a divulgação as pessoas se dirigem aos lugares ou os desavisados podem simplesmente ser surpreendidos encontrando arte em um lugar inesperado, mas que habitualmente freqüentam.
    
A cidade respira arte e isso é o começo de tudo.
    
Quando a arte não circula o que circula é o preconceito. Falar das coisas da arte somente no mundo das idéias, afastado da experiência dos sentidos, torna a arte fraca.
    
A arte encontra sua força na sua visibilidade, logicamente, pois é a partir desta que os sentidos podem ser cruzados: sentidos interpretativos e sentidos sensoriais. Isso porque o próprio ato de ver (mais do que somente olhar, como Saramago no livro Ensaio sobre a cegueira: se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.) já se constitui como um saber, quando não há preconceito. O filósofo Maurice Merleau-Ponty nos ensinou que o olho pensa, para muito além de suas faculdades visíveis.
    
O que muitas vezes não se sabe ou se desconsidera é que pessoas sensíveis estão em todo o lugar, assim como as pouco sensíveis, essas últimas quem sabe a espera de algum estímulo apoiado em uma visualidade. Mas quero reforçar que tudo começa e se desenvolve a partir da circulação das obras.

 

 


Adriane Hernandez, Curadora Convidada

 

 

 

 

 

 

Última atualização ( Qui, 26 de Novembro de 2009 15:59 )  

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"Não há dúvida de que a arte contemporânea brasileira é uma arte de nível internacional. Por outro lado, a arte contemporânea chegou num estágio em que, pelo menos teoricamente, tudo é arte. Quando tudo é arte, corre-se o risco de nada mais ser arte. Então, ao mesmo tempo em que há uma arte de ótima qualidade, há uma produção que tenta se mostrar como arte e que nem sempre é arte." Teixeira Coelho